
O conhecimento não conhece fronteiras; ele atravessa páginas, ecoa em vozes e floresce em cada espaço onde há partilha. Foi sob essa premissa que o Instituto Sempre Alerta e o Grupo de Escoteiros de Igarassu consolidaram sua participação no CLIPE 2026 (Circuito Literário de Pernambuco). No coração do Centro de Convenções, o movimento escoteiro provou que a cidadania não é apenas um conceito teórico, mas uma prática viva que une a sabedoria dos livros à urgência da preservação ambiental.
1. O Escotismo como Base da Cidadania: A Lei Escoteira em Foco
A participação no CLIPE não foi apenas uma exposição de atividades, mas uma demonstração prática da Lei Escoteira. Ao subir no palco e interagir com o público, os jovens e chefes personificaram os artigos que norteiam o movimento.
O escotismo ensina que “o escoteiro é amigo de todos e irmão de todos os outros escoteiros” e, fundamentalmente, que “o escoteiro é bom para os animais e as plantas”. No contexto de um circuito literário, essa lei se traduz na leitura do mundo: entender que a natureza é um livro aberto que precisa ser preservado para que as futuras gerações possam escrever suas próprias histórias. A honra, a lealdade e a cortesia — pilares da nossa lei — foram visíveis em cada aperto de mão e em cada explicação técnica dada aos visitantes.
2. Protagonismo Juvenil: Lucas, Gabriel e Joana no Centro do Palco
Um dos grandes diferenciais do movimento escoteiro, e que ficou evidente no CLIPE 2026, é o protagonismo juvenil. Diferente de outros métodos educativos, no escotismo o jovem é o centro do seu próprio desenvolvimento.
A participação especial de Lucas Lima – foi delegado nacional na conferência infanto pelo meio ambiente, Gabriel Santos – foi delegado na conferência estadual infantojuvenil pelo meio ambiente e Joana Milena que demonstraram conhecimento de nós e amarras ao público, dando testemunho vivo dessa metodologia.
Eles não foram meros espectadores; foram os porta-vozes da mensagem ambiental. Ao demonstrarem o projeto “Juventude Sempre Alerta para o Mar”, Lucas, Gabriel e Joana mostraram como a detecção de microplásticos nos manguezais de Pernambuco e o plantio de espécies nativas nas restingas de Igarassu são ações concretas de quem já compreendeu seu papel como cidadão global.
Essa autonomia é o que permite ao jovem escoteiro transitar da “página” (o aprendizado) para a “tela” (a visibilidade social) e para o “chão” (a ação prática), construindo uma cidadania que não espera pelo futuro, mas que acontece agora.
3. O Papel Vital dos Adultos Facilitadores
Para que Lucas, Gabriel e Joana pudessem brilhar, houve o trabalho silencioso e constante dos adultos voluntários. No escotismo, o papel do adulto não é o de um “professor” autoritário, mas o de um facilitador.
Nossa profunda gratidão aos chefes escoteiros Lourdes Lima, Elisângela Marculino, Yorran Jacques e Chefe Jorgito. São esses líderes que dedicam seu tempo e energia para criar um ambiente seguro onde o erro é parte do aprendizado e o acerto é celebrado coletivamente. Eles são os responsáveis por “armar o acampamento” da autoconfiança no coração de cada jovem, garantindo que o protagonismo juvenil floresça. Sem a dedicação desses voluntários, o movimento perderia seu elo de transmissão de valores e sua capacidade de mobilização logística e educacional.
4. Debatendo o Futuro: Reflexões dos Palestrantes
A “Roda de Diálogo Escoteiros Pernambucanos” trouxe profundidade intelectual ao evento, conectando o escotismo às questões mais urgentes da atualidade. Agradecemos imensamente aos debatedores:
- Genilse Maria Cândido Gonçalves (Professora e Bióloga): Sua fala sobre a Unidade de Educação Ambiental (UNEAC) trouxe o recorte técnico necessário sobre a crise climática. Genilse alertou para o Racismo Ambiental, lembrando que as populações mais vulneráveis são as que mais sofrem com os desastres ecológicos, e como o escotismo pode ser uma ferramenta de justiça social.
- Andrea da Silva Ramos (Psicóloga): Através da ótica da Eco-Psicologia, Andrea explorou como o contato com a natureza e o senso de pertencimento a um grupo como os escoteiros fortalece a saúde mental dos jovens, combatendo a ansiedade gerada pelo isolamento digital.
- Chefe Gilmar Gonçalves (Presidente do Instituto Sempre Alerta): Como historiador e sociólogo, Gilmar uniu a teoria à prática, narrando a experiência dos Escoteiros de Igarassu. Ele reforçou que o escotismo é um movimento educacional que utiliza a natureza como a principal sala de aula.
- Diviol Lira ( Servidor da Secretaria de Educação do Estado de Pernambuco na CAC foi o mediador): Com maestria, o jornalista e historiador soube tecer as linhas entre os diferentes temas, garantindo que o diálogo fluísse de forma acessível e instigante para todo o público presente.
5. Gratidão Institucional e Apoio Público
A realização de um momento tão significativo não ocorre no isolamento. O Instituto Sempre Alerta agradece profundamente à Secretaria Estadual de Educação de Pernambuco pelo espaço e pela visão de futuro.
Um agradecimento especial à Leda Dias, gerente da CAC (Coordenação de Ações Culturais), cujo olhar sensível permitiu que a cultura escoteira fosse integrada à programação literária. Ao Cledson, Gerente de Direitos Humanos, nossa gratidão por entender que o escotismo é, essencialmente, uma escola de direitos, deveres e dignidade humana.
Conclusão: Um Legado de Esperança
O CLIPE 2026 termina, mas o trabalho dos Escoteiros de Igarassu e do Instituto Sempre Alerta continua. Voltamos para nossas sedes e para nossos manguezais com a certeza de que a educação é o único caminho para a transformação real.
Que sigamos cultivando saberes, espalhando histórias e transformando caminhos. Que cada nó dado em nossas cordas seja um símbolo do compromisso que temos uns com os outros e com a Terra.
Sempre Alerta para Servir!






